Concórdia, porta de entrada para a Tishman Speyer em Minas

Edifício no Vila da Serra, construído pela Caparaó, marca o primeiro investimento de uma das maiores proprietárias, desenvolvedoras, operadoras e gestoras de fundos de imóveis de alto padrão do mundo.

Apesar de todos os desafios enfrentados pelo País, grandes empresas estão investindo e acreditando que esse tipo de ambiente é propício a novas oportunidades. Esta é a leitura feita por Daniel Cherman, presidente da Tishman Speyer, uma das maiores proprietárias, desenvolvedoras, operadoras e gestoras de fundos de imóveis de alto padrão do mundo, presente em mais de 30 países e proprietária do empreendimento Concórdia, no Vila da Serra. Para Daniel Cherman, o conceito principal para esse tipo de investimento é fazer um projeto certo para longo prazo, que atraia inquilinos por ser um empreendimento sustentável e diferenciado. “É certo que quando se entra em um investimento, imagina-se que o mercado vai responder de imediato. No caso do Concórdia, construímos com o mercado em baixa para esperar ele reagir. O edifício está em uma região consolidada, tem um conceito diferente e nós temos a convicção de que as empresas ao compararem o produto com outros vão migrar para lá. O momento é propício para quem planeja para o futuro. O próximo ciclo de crescimento, de três a cinco anos pela frente, vai acontecer de qualquer maneira, independente do próximo presidente”, explica Cherman. Segundo ele, há países com problemas políticos e a economia continua muito bem. Por outro lado, o momento de mercado nos Estados Unidos e Europa é bem diferente, porque os valores dos ativos estão muito altos e vão ficar por muito tempo. “Então, os investidores internacionais já começam a olhar para o Brasil de outra forma, porque os valores aqui estão baixos e esses investimentos estão se tornando atrativos.” Daniel Cherman explica que “quem planejou e não atingiu o resultado é porque não se preparou ou não imaginava a extensão da crise. O momento é propício a investir, sim, mas com cautela para avaliar riscos.” Com relação ao Concórdia, que marca a entrada da Tishman no mercado mineiro, ele ressalta que o investidor estrangeiro acaba analisando a cidade em que possa ter presença de longo prazo. “Porque são investimentos que precisam ser concentrados em centros urbanos que têm mais potencial de se manter para o futuro. E ter parceiros locais é parte dessa estratégia, de ter empresas que tenham entendimento da cidade, da cultura, do local. Isso é diferente por exemplo em países como a China e Índia, onde você precisa ter esse entendimento para ter os parceiros locais e parte dessa estratégia. Com a Caparaó tivemos essa afinidade, o que proporcionou essa parceria. É hora de planejar os próximos passos, pois a experiência foi muito positiva sob todos os ângulos”, finalizou.

Edifício tornou-se um ícone na região

O edifício Concórdia será entregue no primeiro trimestre de 2018. Agora em dezembro será entregue o exuberante paisagismo assinado pelo escritório de Burle Marx. “O edifício é grandioso e a preocupação com os detalhes é muito grande para que empresas comecem a ocupá-lo a partir de fevereiro”, explica Maria Cristina Valle, vice-presidente da Caparaó. Segundo ela, “a estratégia foi construir o edifício primeiro para depois divulgá-lo. Era preciso da escala humana dentro dele e vê-lo pronto. E com a Tishman o processo é esse: primeiro se constrói, depois parte para a alocação.” A primeira empresa a ocupar o Concórdia será ArcelorMittal. O edifício, quando foi aprovado há três anos, era considerado o mais alto do Brasil. Junto com a torre Alta Vila ele se tornou um ícone na região. “Foi uma obra de grandes desafios, a começar pelos procedimentos, no rigor das normas internacionais anti-corrupção. Nunca foi um processo que nos assustou, mas que nos trouxe a responsabilidade total que ele merecia, o que só beneficiou quem participou desse processo. E nós estamos terminando o Concórdia abaixo do custo estimado, com todos os extras que apareceram. Quando a Tishman entrou, exigiu que o edifício fosse certificado e no padrão gold. O desempenho de todos foi preponderante para atingir o leed gold, o que representa a eficiência do processo. Essa certificação afere uma prática que foi feita em prol da sustentabilidade, da construção inteligente, humana, e isso é um símbolo que o Concórdia vai deixar para a região”, explicou.
Para Cherman, o edifício terá uma dinâmica diferente, com adaptação de horários para a melhoria da mobilidade local. Ele imagina que o fluxo de pessoas seja da ordem de 1500 a 2000 pessoas por dia, com ocupação em formato de escritório, e cinco lojas, sendo que uma delas é o chalezinho contemporâneo, construído com telhado portenho. Para ele, o Distrito de Inovação chega com a vocação da tecnologia para fortalecer a centralidade. “O concórdia se mostra como ícone e como pertencimento à região. Ele ter o papel de catalisador de empresas para um polo de desenvolvimento voltado para a nova fórmula de trabalhar. Ele é um edifício que atrai empresas e pessoas que buscam um espaço dessa natureza.” Segundo ele, os talentos da inovação não estão em busca apenas de trabalho, mas sim de um local propício para que as ideias criativas aconteçam. Um vidro do chão ao tempo oferece muito mais vida que você trabalhar em um ambiente com uma parede à sua frente, você se coloca na paisagem. No Concórdia, até o tom de vidro foi escolhido por um especialista para saber qual a cor e o tom de azul que beneficiava mais o usuário”, informou.

Diálogo para resolver impactos

Com relação ao impacto causado pelo edifício em uma região altamente conturbada, ele disse que os empreendedores e a prefeitura precisam conversar de forma proativa para uma grande infraestrutura acontecer. “A gente sabe que são necessárias algumas soluções fantásticas e que estas precisam ser discutidas entre todos. À medida que a cidade continua crescendo no Vetor Sul é necessário o contínuo investimento em infraestrutura. Vale citar que já começou a surtir efeito com o fato de que é um edifício que leva a vida pra lá. As pessoas vão para o Concórdia também pensando em morar na região, se é que ainda não estão ali”, explicou. Para Cherman, é preciso concentrar tudo na centralidade, ao invés de fazer intervenções o tempo inteiro, além disso, a grande obra da região é a Via Estruturante e ela precisa acontecer.
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